Pesquisa sobre Rejeição Social e Dor Física

Pesquisa sobre Rejeição Social e Dor Física

O estudo que encontrou semelhanças entre a dor da exclusão social e a dor física no cérebro humano.

Expressões como "isso doeu", "partiu meu coração" ou "foi uma rejeição difícil de suportar" costumam parecer apenas metáforas.

Mas uma pesquisa publicada em 2003 levantou uma hipótese surpreendente: talvez a dor da rejeição seja mais literal do que imaginamos.

Utilizando exames de neuroimagem, pesquisadores investigaram o que acontece no cérebro quando uma pessoa é excluída socialmente.

Como o estudo foi realizado

Os participantes acreditavam estar jogando um jogo virtual chamado Cyberball com outras pessoas.

No início, todos participavam normalmente.

Depois de alguns minutos, os demais jogadores passavam a ignorar deliberadamente o participante, excluindo-o da atividade.

Enquanto isso acontecia, os pesquisadores monitoravam a atividade cerebral por meio de ressonância magnética funcional (fMRI).

O que os pesquisadores descobriram

Durante a experiência de exclusão social, houve aumento de atividade em regiões cerebrais associadas ao processamento da dor física.

Uma das áreas mais relevantes foi o córtex cingulado anterior dorsal, frequentemente relacionado à experiência subjetiva de sofrimento.

Além disso, quanto maior era a sensação de rejeição relatada pelos participantes, maior tendia a ser a ativação dessas regiões cerebrais.

Isso sugere que a exclusão social não é apenas uma experiência desagradável do ponto de vista psicológico. Ela também produz respostas mensuráveis no cérebro.

Por que isso é importante?

Durante muito tempo, a dor emocional foi considerada menos relevante do que a dor física.

Essa pesquisa ajudou a mostrar que rejeição, exclusão e não pertencimento podem mobilizar sistemas neurais relacionados ao sofrimento físico.

Os pesquisadores não afirmam que as duas experiências sejam exatamente iguais, mas sugerem que compartilham mecanismos importantes.

O que isso tem a ver com inadequação?

Muitas pessoas convivem com medo de rejeição, exclusão ou julgamento.

Frequentemente escutam que estão exagerando ou sendo sensíveis demais.

Os resultados dessa pesquisa sugerem uma visão diferente.

Se a rejeição ativa sistemas relacionados à dor, então o sofrimento provocado pelo não pertencimento não deve ser tratado como algo trivial.

Isso ajuda a compreender por que experiências de inadequação podem deixar marcas emocionais tão profundas.

O estudo se tornou uma das pesquisas mais influentes sobre pertencimento e rejeição social.

Ele sugere que os vínculos humanos ocupam um lugar tão importante em nossa vida que sua ameaça pode ser percebida pelo cérebro de forma semelhante a outras experiências dolorosas.

Talvez por isso ser ignorado, excluído ou rejeitado possa ser tão difícil de suportar.

Fonte da pesquisa: Eisenberger, N. I., Lieberman, M. D., & Williams, K. D. (2003). Does Rejection Hurt? An fMRI Study of Social Exclusion. Proceedings of the National Academy of Sciences. https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.1530504100

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